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2010-07-15 Diário Económico
Farmacêuticas ameaçam retirar remédios do mercado
Farmacêuticas ameaçam retirar remédios do mercado
O mercado de medicamentos está em quebra ao mesmo tempo que a despesa do Estado com remédios cresce. Farmacêuticas falam em risco de ruptura.
Catarina Duarte
O mercado global de medicamentos registou em Junho uma quebra de 9,1% face ao mesmo mês de 2009, valendo agora 189 milhões de euros. O mercado dos genéricos também apresenta uma evolução negativa: decresceram 6,2% em Junho face ao mesmo mês do ano passado.
As recentes descidas administrativas dos preços dos medicamentos e a dívida dos hospitais estão a pressionar a indústria farmacêutica. "As descidas sucessivas de preços implicarão uma limitação à entrada de novos e inovadores medicamentos e também a retirada de alguns produtos do mercado", alerta a Apifarma que fala mesmo em "risco de ruptura crescente" das pequenas empresas.
Entre 2006 e 2008, a indústria farmacêutica, que emprega cerca de 11 mil pessoas em Portugal, registou uma quebra de 6,4% nos recursos humanos, disse ao Diário Económico fonte da Apifarma. À descida de preços junta-se uma divida "recorde", que já levou a indústria a ameaçar a cobrança de juros no valor de 50 milhões de euros. De acordo com as contas da Apifarma, a dívida dos hospitais aos laboratórios ascendia em Maio a 851 milhões de euros e o prazo médio de pagamento agravou-se para os 331 dias. Factores que, de acordo com a Apifarma, podem levar a desinvestimento da indústria farmacêutica em Portugal.
A quebra de valor da indústria farmacêutica contrasta com o aumento dos encargos do Estado com medicamentos. Entre Janeiro e Maio de 2010, a despesa do SNS com remédios cresceu 12,8% face ao mesmo período do ano anterior.
A justificação do Ministério da Saúde para este crescimento em contra-ciclo com o valor do mercado de medicamentos prende-se com a comparticipação de genéricos a 100% para os pensionistas mais pobres, uma medida de cariz social que custou aos cofres do Estado 50 milhões de euros no segundo semestre de 2009.
Mais unidades de cuidados primários
O Ministério da Saúde quer criar 32 novas unidades de saúde familiar (USF), 40 novas unidades de cuidados na comunidade (UCC) e pelo menos 30 unidades de saúde pública até ao final do ano. Os planos integram a segunda fase da reforma dos cuidados de saúde primários, que teve início em 2005 pela mão do então ministro Correia de Campos, e que foi ontem anunciada por Ana Jorge.
Em linha com a reforma, o Ministério quer um recrutamento mais célere dos médicos de família. O objectivo é que, "pelo menos, 90% dos novos médicos especialistas em medicina geral e familiar que tenham concluído o internato em 2010 estejam colocados e a trabalhar até ao final do ano", explicou Ana Jorge.
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